ALCOBAÇA - Mais de mil mulheres trabalhadoras rurais sem terra ocuparam na manhã desta quinta-feira (1º) uma área de eucalipto pertencente à empresa Suzano Papel e Celulose no Município de Alcobaça (838 km de Salvador), na região extremo sul da Bahia. Esta é a primeira ocupação que acontece neste ano de 2012 na região.
Durante o ano passado foram ocupadas diversas outras áreas das empresas Veracel e Suzano, onde os trabalhadores ainda se encontram em processo de negociação com as empresas, para transformar os acampamentos em assentamentos.
A ocupação desta manhã foi na Fazenda Nova Esperança, localizada no município de Alcobaça, que é de propriedade da empresa paulista Suzano Papel e Celulose. Pelos menos 1.150 mulheres de vários acampamentos e assentamentos da região, estão participando deste ato com o objetivo de alertar as autoridades sobre o descaso social e ambiental que as empresas monocultoras de eucalipto estão praticando na região.
Segundo a coordenadora Lucinéia Durans, da regional extremo sul do MST, e responsável pela luta da mulher em prol da terra, as empresas de monocultura estão causando muito desemprego, e com isso cresce o aumentando da pobreza, e a desigualdade social. “A expulsão do homem do campo, tem provocado um inchaço dos centros urbanos, o que provoca o aumento da violência a cada dia. Essa é uma das razões porque as cidades da região sul e extremo sul da Bahia estão entre as mais violentas do país”, disse Lucinéia.
O movimento das mulheres também pede agilidade nos processos de desapropriação dos latifúndios, as grandes propriedades de terra improdutivas. A coordenadora lembrou ainda que existem áreas sendo usurpadas para o monocultivo de eucalipto em plena mata atlântica.
De acordo com a coordenadora de produção regional, Vilma Mesquita, a ocupação que aconteceu nesta quinta é em virtude de que o mês de março é o mês da mulher, e o protesto das mulheres é por causa da demora na regularização das áreas ocupadas pelos trabalhadores. Segundo Vilma, existem pelos menos 23 mil famílias de sem-terras baianos, que continuam acampados. Alguns deles, há mais de oito anos.
As mulheres camponesas reivindicam também investimento do governo nos assentamentos da região, que estão abandonados pelos governos federal e estadual.