
A Prefeitura de Lajedinho, município localizado na Chapada Diamantina, está no centro de uma polêmica após a publicação de contratos que somam mais de R$ 520 mil para a contratação de atrações musicais da tradicional Festa dos Vaqueiros, prevista para acontecer nos primeiros dias de agosto de 2026.
O que chama atenção não é apenas o valor investido nos shows, mas a origem dos recursos: o Fundo Municipal de Educação. De acordo com os extratos publicados no Diário Oficial, o município firmou contratos para apresentações dos cantores Devinho Novaes, no valor de R$ 300 mil, e Manim Vaqueiro, por R$ 220 mil.
No caso de Devinho Novaes, inclusive, o mesmo contrato foi publicado duas vezes com idêntico número e valor, o que levanta dúvidas adicionais sobre a transparência do processo. As contratações foram realizadas por meio de inexigibilidade de licitação, mecanismo permitido em casos específicos, mas que exige justificativas claras quanto à escolha dos artistas e aos valores pagos.
Embora os documentos indiquem que as despesas estão vinculadas administrativamente ao setor de Cultura, Esporte e Lazer, o uso de recursos do Fundo Municipal de Educação para custear eventos festivos levanta questionamentos relevantes. Isso porque esse tipo de fundo é destinado, por lei, à manutenção e ao desenvolvimento do ensino público, incluindo despesas com infraestrutura escolar, transporte de estudantes, aquisição de material didático e valorização de profissionais da educação.
Especialistas apontam que, mesmo em municípios pequenos onde há integração administrativa entre secretarias, a destinação de verbas vinculadas à educação para finalidades que não estejam diretamente relacionadas ao ensino pode configurar irregularidade, dependendo da origem dos recursos e da forma como foram contabilizados.
A situação reacende o debate sobre prioridades na gestão pública, especialmente em cidades do interior, onde frequentemente há carências estruturais na área educacional.
Até o momento, a Prefeitura de Lajedinho não se manifestou oficialmente sobre o caso. As assessorias dos artistas envolvidos também não responderam aos questionamentos. O espaço segue aberto para esclarecimentos.
A população agora aguarda explicações sobre a utilização dos recursos e possíveis desdobramentos por parte dos órgãos de controle.