
A Polícia Civil da Bahia deflagrou, na manhã desta quarta-feira (5), a Operação Chicana e cumpriu cinco mandados de busca e apreensão em endereços no município de Eunápolis. A ação tem como alvo uma advogada, de 28 anos, Brunay Cordeiro Santos é investigada por suposta participação em organização criminosa, além de falsidade ideológica e fraude processual.
As ordens judiciais foram expedidas pela Vara Criminal da Comarca de Itabela, após o avanço de investigações que apontam para a existência de um esquema estruturado de fraudes documentais e processuais.
De acordo com a Polícia Civil, o grupo investigado utilizava documentos ideologicamente falsos e contratos supostamente simulados para dar aparência de legalidade a práticas ilícitas, como ocultação de patrimônio e obtenção de vantagens indevidas. A suspeita é de que esses mecanismos teriam sido usados para beneficiar integrantes de uma organização criminosa considerada ultraviolenta e com forte atuação em Itabela.
Ainda segundo a investigação, o grupo ao qual a advogada estaria ligada é alvo de apurações por crimes graves, incluindo homicídios, tráfico de drogas e outras ações violentas que vêm impactando diretamente a segurança pública da região.
Durante o cumprimento dos mandados, equipes policiais apreenderam aparelhos eletrônicos e diversos documentos. Todo o material passará por perícia e análise técnica, com o objetivo de aprofundar as investigações, identificar possíveis coautores e consolidar novas provas.
A Polícia Civil pediu a prisão preventiva da advogada, Brunay Cordeiro Santos, apontada pelos crimes de falsidade ideológica, fraude processual e participação em organização criminosa. No entanto, a Justiça negou a prisão, acatando o argumento do Ministério Público de que, apesar de preencher todos os requisitos para a decretação da prisão preventiva, a acusada é mãe de um bebê de apenas 2 meses e ainda amamenta.
Em vez da cela, a advogada terá que cumprir medidas cautelares: proibição de contato com os investigados e vítimas, recolhimento domiciliar nos finais de semana (sexta-feira à noite às 06:00 da manhã de segunda-feira), recolhimento domiciliar noturno (das 20:00 às 06:00), suspensão do exercício da advocacia, tornozeleira eletrônica e fiança de 20 salários-mínimos.
A operação contou com a atuação de equipes da Delegacia Territorial de Itabela (DT/Itabela), com apoio da Diretoria Regional de Polícia do Interior Sul (DIRPIN/Sul), da DIRPIN/Sudoeste, da 23ª Coorpin/Eunápolis e da 7ª Coorpin/Ilhéus, unidades vinculadas ao Departamento de Polícia do Interior (DEPIN).
O caso levanta mais uma vez o alerta para o uso de estruturas aparentemente legais como instrumento para práticas criminosas, especialmente em uma região já marcada por episódios de violência e atuação de facções.
Espaço aberto para manifestação da defesa da investigada.