Familiares alegam possíveis falhas nos atendimentos realizados em unidades de saúde de Itabela, Eunápolis e Porto Seguro e cobram respostas sobre a morte do menino
ITABELA (BA) — A família do pequeno Noah Gomes de Souza, de 1 ano e 7 meses, que morreu na terça-feira (18/08), no Hospital Luiz Eduardo Magalhães, em Porto Seguro, realizou uma manifestação e afirma que busca justiça e respostas sobre as circunstâncias que antecederam a morte da criança.
A mãe de Noah contou ao Giro de Notícias que já oficializou um pedido de investigação junto ao Ministério Público de Itabela. Segundo ela, esteve na Promotoria na manhã desta segunda-feira (24/08), onde entregou documentos e apresentou informações sobre todo o ocorrido.
Família questiona sequência de atendimentos
Segundo os familiares, Noah passou por três municípios durante a busca por atendimento médico: Itabela, Eunápolis e Porto Seguro. A família questiona a condução dos atendimentos e afirma que pode ter ocorrido demora na identificação da gravidade do quadro clínico.
De acordo com o pai, Fabrício Jesus de Souza, Noah foi levado por três vezes para atendimento em Itabela e, posteriormente, encaminhado para Eunápolis. Conforme o relato da família, em uma das ocasiões a criança recebeu soro e medicação e foi liberada para retornar para casa.
Ainda segundo os familiares, o estado de saúde de Noah apresentou piora progressiva após os atendimentos.
Diante do agravamento do quadro, a criança foi levada para Porto Seguro e internada no Hospital Luiz Eduardo Magalhães, por volta das 13h da segunda-feira (17/08).
Pedido de transferência para unidade especializada
Na madrugada de terça-feira (18/08), às 01h24, foi inserida uma solicitação de transferência na Central Estadual de Regulação da Bahia, registrada sob a ocorrência nº 5011548.
Segundo a família, Noah precisava ser encaminhado para uma unidade especializada, com necessidade de vaga em UTI Neonatal, mas a transferência não teria sido efetivada naquele momento.
Por volta das 8h, ainda conforme o relato dos familiares, foi tomada a decisão de realizar a transferência da criança para o Hospital Ramos.
No momento em que o transporte seria iniciado, entretanto, Noah apresentou uma piora no quadro clínico. A equipe médica iniciou procedimentos para tentar estabilizar a criança.
Apesar dos esforços, Noah não resistiu e morreu.
Família cobra investigação e respostas
A morte do menino provocou comoção entre familiares, amigos e moradores de Itabela. A família agora busca esclarecimentos sobre toda a trajetória de atendimento da criança e pretende que sejam apuradas as circunstâncias que antecederam a morte.
Os familiares alegam que houve possíveis falhas nos atendimentos realizados nas unidades de saúde por onde Noah passou e questionam também o tempo de espera por uma vaga especializada por meio da regulação estadual.
No entanto, eventual responsabilidade por negligência, imprudência ou falha no atendimento somente poderá ser estabelecida após investigação e análise dos prontuários, exames, documentos médicos e demais elementos do caso.
A família afirma que pretende buscar os meios legais para esclarecer o que aconteceu e responsabilizar eventuais responsáveis, caso sejam identificadas irregularidades.
Espaço aberto para esclarecimentos
O Giro de Notícias deixa espaço aberto para que a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), a Prefeitura de Itabela, a Prefeitura de Eunápolis, os hospitais envolvidos e os demais responsáveis pelos atendimentos possam apresentar suas versões e esclarecer as circunstâncias dos atendimentos, da solicitação de transferência e da morte de Noah.
A família afirma que não quer apenas lamentar a perda, mas também obter respostas e justiça pela morte do pequeno Noah.