
O julgamento dos acusados pelo duplo homicídio de Fabrício Trevizani e Marycélia Silva Bobbio foi marcado para o dia 20 de agosto de 2026, no Fórum de Porto Seguro, no extremo sul da Bahia. O caso, que teve grande repercussão na região, ocorreu em outubro de 2017, quando o casal foi assassinado a tiros enquanto dormia em uma fazenda na zona rural de Guaratinga.
De acordo com as investigações da Polícia Civil, a ex-companheira de Fabrício, Daniela Pinheiro de Souza, foi apontada como a mandante do crime. A motivação estaria ligada a uma disputa por herança. Segundo a apuração, Daniela teria se inconformado com a possibilidade de divisão de bens após saber que Marycélia estaria grávida.
Ainda conforme a polícia, Jhonatan da Silva Teixeira teria sido o executor dos disparos, com apoio de outros envolvidos, entre eles Taniro Francisco Ribeiro e Eferson Queiroz Santos. Um adolescente também participou da ação e foi apreendido na época. Um sexto suspeito chegou a ter a prisão decretada, mas segue foragido.
O crime aconteceu em uma propriedade às margens da BA-283, na localidade conhecida como Escadinha. Os autores efetuaram disparos pela janela do quarto onde o casal dormia. No momento do ataque, uma criança de quatro anos, filho de Marycélia de outro relacionamento, estava na residência, mas não foi atingida.
Processo marcado por atrasos
O processo judicial enfrentou uma longa trajetória, marcada por diversos atrasos e entraves. Em fevereiro de 2025, o ministro Ribeiro Dantas, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), concedeu habeas corpus aos acusados, considerando o excesso de prazo, já que os réus permaneceram presos por mais de sete anos sem julgamento. A decisão também beneficiou Daniela Pinheiro de Souza.
Após a soltura, a Justiça determinou medidas cautelares, como o uso de tornozeleiras eletrônicas para monitoramento dos acusados.
Diante das dificuldades estruturais na comarca de Guaratinga, a defesa solicitou o desaforamento do julgamento. O pedido foi aceito, com parecer favorável do Ministério Público da Bahia, que destacou a necessidade de garantir a imparcialidade, a segurança e a regularidade do júri.
Inicialmente previsto para ocorrer em Guaratinga, o julgamento foi transferido para Porto Seguro. Uma tentativa anterior, marcada para 13 de setembro de 2022, chegou a ser iniciada, mas foi suspensa por falta de jurados.
A magistrada responsável pelo caso apontou ainda problemas estruturais, como a falta de espaço adequado para comportar réus, advogados, jurados, testemunhas e o público.
Expectativa por desfecho
Após quase nove anos do crime, familiares das vítimas aguardam que o júri popular finalmente aconteça e traga um desfecho para um dos casos mais marcantes do extremo sul da Bahia.
O júri será presidido por um juiz ainda a ser definido. Já na acusação, ficou estabelecido que o promotor de Justiça Dr. Igor Assunção atuará no caso.
A realização do julgamento em agosto de 2026 é vista como um passo decisivo para a conclusão do processo e a responsabilização dos envolvidos.