
Acusados de terem atirado contra duas turistas gaúchas próximo da Praia da Barra do Cahy, no interior do município de Prado, no sul da Bahia, foram presos horas após o crime. O cacique e onze indígenas foram detidos e uma grande quantidade de armas foram apreendidas.
Segundo moradores da região, os homens que atentaram contra a vida das duas turistas gaúchas, que passavam férias na região de Prado, foram presos com armas que podem ter sido usadas na tentativa do duplo homicídio contra as mulheres.
O crime ocorreu por volta das 10h30 desta terça-feira (24/02), na estrada de acesso a Praia da Barra do Cahy, localizada no município de Prado, no extremo sul da Bahia. Segundo as informações, as vítimas estavam hospedadas na Pousada Corumbau e teriam ido passear na praia da Barra do Cahy, onde foram recebidas a tiros.
As turistas, que não tiveram os nomes divulgados, de 55 e 57 anos, são de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, e passam férias em Corumbau. Elas foram atingidas durante um passeio até a Barra do Cahy, praia que fica a cerca de 44 km da cidade de Prado. O veículo utilizado pelas turistas ficou perfurado por diversos tiros.
Segundo o marido de uma das turistas, cerca de 20 homens fortemente armados as cercaram as vítimas na estrada e, sem sequer perguntar quem elas eram, passaram a abrir fogo contra as vítimas, que só estão vivas por um milagre.
Logo após o ocorrido, a Polícia Militar foi ao local e conseguiu prender oito indígenas e apreende quatro adolescentes acusados pelo ataque criminoso. Entre os presos está o cacique Mãdý Pataxó. Segundo moradores da região onde ocorreu o crime, ele coordena o grupo que teria atirado contra as mulheres.
O cacique Mãdý Pataxó é acusado de envolvimento em diversas invasões que vêm ocorrendo na região, no interior de Prado. São atos considerados violentos, que, segundo relatos, ocorrem durante a madrugada e com uso de armas de fogo.
Em 2022, ele teria coordenado a invasão da Fazenda Santa Bárbara, que fica nos limites do Território Indígena Pataxó Comexatibá. Em vídeo gravado no domingo (26 de junho de 2022), era possível ver o fogo destruindo uma grande plantação de eucalipto já pronta para comercialização.
Ele também é acusado por moradores de ter coordenado a invasão da Fazenda Dois Irmãos, do Restaurante Manzuco e da Fazenda do Dr. Vitor, também situados na região.
As duas turistas foram socorridas e levadas de helicóptero para o Hospital de Base, em Porto Seguro. Apesar da gravidade do ocorrido, elas estão estáveis e não correm risco de morte.
A Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) informou que reforçou imediatamente o policiamento na região de Prado após o ataque a tiros que deixou duas turistas gaúchas baleadas. O caso será investigado pela Polícia Civil.
O Ministério da Justiça destacou que a Terra Indígena Comexatibá foi declarada de posse permanente do povo Pataxó em novembro de 2025, e que o processo segue para demarcação física sob responsabilidade da Funai. A Fundação Nacional dos Povos Indígenas afirmou que acompanha a situação com preocupação e que a demarcação está em fase final de homologação, mantendo articulação com órgãos de segurança.
O Coletivo de Lideranças Indígenas da Terra Indígena Comexatibá negou envolvimento no ataque e atribuiu a violência a grupos armados ligados a interesses privados. O grupo repudiou os atos de violência e cobrou investigação imparcial.
Segundo a SSP-BA, doze pessoas foram conduzidas e autuadas por tentativa de homicídio, associação criminosa, porte ilegal de arma de fogo e corrupção de menores. Oito adultos foram presos e quatro adolescentes apreendidos. Com eles, foram encontradas armas e munições. As vítimas relataram que foram surpreendidas por disparos após encontrarem um bloqueio na estrada.
As forças de segurança seguem na região com reforço no patrulhamento e ações de inteligência.
Durante a ação, foram apreendidas cinco armas de fogo e aparelhos celulares. Na área em conflito fundiário, ocupada por supostos indígenas, equipes das Polícias Militar, Civil e Federal localizaram duas espingardas calibre 12, um rifle calibre 38 e dois revólveres calibre 38. Os armamentos estavam enterrados em uma área de mata fechada, próxima ao local onde as vítimas foram atacadas.
O caso está sendo investigado pelas autoridades competentes. O espaço permanece aberto para manifestação dos citados e das forças de segurança.