Cacique Suruí Pataxó é condenado a 7 anos e 6 meses de prisão por carregamento ilegal de armas e munições e corrupção de menores no sul da Bahia

Giro de Noticias - 13/07/2026 - 19:12


A Justiça Federal condenou o cacique Welington Ribeiro de Oliveira, conhecido como Suruí Pataxó, a 7 anos e 6 meses de prisão, em regime inicial semiaberto, pelos crimes de posse ilegal de armas de fogo — incluindo armamento de uso restrito com numeração raspada — e corrupção de adolescentes.

A sentença foi proferida na última sexta-feira (10/07/2026), pela Vara Única da Subseção Judiciária de Eunápolis, com base em provas reunidas durante investigações relacionadas a operações realizadas no extremo sul da Bahia.

O caso teve origem em uma abordagem da Força Nacional, no dia 2 de julho de 2025, durante a Operação Pataxó, na Terra Indígena Barra Velha do Monte Pascoal, em Porto Seguro. Conforme consta na decisão judicial, o cacique transportava armas, centenas de munições e dois adolescentes, que, segundo as investigações, estariam sendo utilizados em atividades ligadas ao transporte, guarda e até treinamento com armamento.

Durante a ação, foram apreendidas duas pistolas com numeração suprimida, sete carregadores e mais de 400 munições de diferentes calibres, incluindo material de uso restrito. O magistrado concluiu que todo o armamento era mantido sem qualquer autorização legal.

A perícia em um aparelho celular apreendido reforçou o conjunto probatório. De acordo com a sentença, foram identificadas mensagens relacionadas ao transporte de armas, além de vídeos que mostram um dos adolescentes recebendo instruções enquanto realizava disparos. Para o juiz, ficou configurado o aliciamento dos jovens para atividades criminosas, caracterizando o crime de corrupção de menores. A identidade dos adolescentes foi preservada.

Durante o julgamento, a defesa alegou que o cacique teria recebido as armas de membros da comunidade indígena com o objetivo de entregá-las às autoridades. No entanto, a tese foi rejeitada pela Justiça por ausência de provas que sustentassem a versão, além da inexistência de autorização legal para posse ou porte do armamento.

Na dosimetria da pena, o magistrado destacou como agravantes a quantidade de armas e munições apreendidas, a presença de armamento de uso restrito e o envolvimento de adolescentes nas práticas criminosas. Além da pena de prisão, o condenado também deverá pagar multa.

Prisão em operações recentes

Welington Ribeiro de Oliveira voltou a ser preso pela Polícia Federal no dia 17 de março deste ano, durante as operações Sombras da Mata II e Tekó Porã II, realizadas simultaneamente nos municípios de Porto Seguro e Prado, com apoio de forças estaduais e federais.

Dias antes, ele havia sido colocado em liberdade após a revogação da prisão preventiva por decisão judicial que apontou ausência de provas de ligação com organização criminosa. Com o avanço das investigações e novas medidas judiciais, no entanto, a prisão voltou a ser decretada.

O caso segue repercutindo na região e levanta discussões sobre segurança, atuação de lideranças e a presença de armamento ilegal em áreas sensíveis do extremo sul baiano.

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