Presidente da Conafer segue foragido; PF aponta compra de R$ 1,7 milhão em gado com dinheiro de fraude no INSS. Quem souber de seu paradeiro denuncie.

Giro de Noticias - 16/07/2026 - 07:48


O presidente da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes, conhecido como “Mão Preta”, segue foragido da Polícia Federal (PF). Ele é apontado como principal articulador de um esquema bilionário de fraudes envolvendo descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

De acordo com a investigação, Carlos Lopes teria utilizado recursos do esquema para comprar cerca de R$ 1,7 milhão em gado. A informação consta em mensagens extraídas do celular do empresário Higor Dalle Vedove Lourenção, investigado na primeira fase da Operação Sem Desconto. O relatório foi enviado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso.

Conversas encontradas pela PF indicam a emissão de um cheque no valor de R$ 1,7 milhão para aquisição de animais, além de outros pagamentos menores. Em um dos diálogos, um interlocutor relata preocupação com a compensação do valor.

Segundo a Polícia Federal, Cícero Marcelino de Souza Santos atuava como operador financeiro do grupo, responsável por movimentações bancárias e pagamentos ligados à compra de gado e material genético. Ele também mantinha um grupo de mensagens com registros de transferências feitas por empresas de fachada, usadas para ocultar a origem dos recursos.

As investigações apontam que os valores não saíam diretamente das contas pessoais do presidente da Conafer, sendo movimentados por meio dessas empresas para caracterizar lavagem de dinheiro.

Entre 2023 e 2024, empresas ligadas ao grupo transferiram mais de R$ 1,8 milhão para aquisição de gado. A PF também afirma que Carlos Lopes, a esposa e o cunhado utilizaram recursos desviados para comprar fazendas, veículos de alto valor e ampliar rebanhos por meio de uma empresa agropecuária.

Durante a operação, foram apreendidos cerca de 1.487 bovinos, 33 equinos e muares, além de veículos, equipamentos agrícolas e documentos. As propriedades investigadas ficam em municípios de Minas Gerais.

Segundo a PF, o esquema ligado à Conafer movimentou ao menos R$ 708 milhões entre 2019 e 2024, com uso de empresas de fachada para ocultação patrimonial.

A Operação Sem Desconto foi deflagrada em abril de 2025 após denúncias sobre descontos associativos irregulares em benefícios previdenciários. Ao todo, 48 pessoas foram indiciadas por crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção.

O caso agora está sob análise da Procuradoria-Geral da República (PGR), que decidirá sobre eventual denúncia formal. Carlos Roberto Ferreira Lopes segue foragido.

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