
Moradores do Assentamento Terra Nova, localizado no interior de Porto Seguro, nas proximidades do povoado de Montinho, em Itabela, denunciam momentos de tensão e medo após um episódio de ameaças que, segundo os relatos, ocorreu na última segunda-feira. As famílias afirmam que foram pressionadas a deixar suas casas em um prazo de 24 horas, sob ameaça de invasão.
De acordo com um morador que procurou a reportagem, mais de 45 famílias vivem na comunidade há aproximadamente 28 anos e temem perder suas moradias. Ele relata que pessoas que se identificam como indígenas teriam comparecido ao assentamento e exigido a saída dos residentes.
A situação teria se agravado com a chegada de viaturas policiais. Segundo o denunciante, algumas pessoas deixaram o local quando os policiais chegaram, e houve uma perseguição. O morador também afirma que o grupo estaria armado e teria efetuado disparos para o alto antes de sair da área.
Ainda conforme o relato, durante a noite foram ouvidos diversos tiros nas proximidades, o que aumentou a apreensão dos moradores e reforçou o temor de novas ameaças. A autoria dos disparos, porém, não foi confirmada de forma independente pela reportagem.
Acesso ao assentamento teria sido bloqueado
Outro ponto relatado pelos moradores é a colocação de uma corrente para bloquear o acesso ao Assentamento Terra Nova. Segundo a denúncia, a medida teria dificultado a entrada e a saída da comunidade, aumentando a preocupação das famílias.
O denunciante também citou um homem identificado como Leandro, que, segundo sua versão, seria genro do cacique Jurandir. Ele o aponta como uma das pessoas envolvidas nas supostas ameaças. As acusações ainda precisam ser apuradas, e os citados devem ter a oportunidade de apresentar suas versões dos fatos.
Famílias cobram providências das autoridades
Os moradores pedem providências urgentes das forças de segurança, do Governo do Estado da Bahia e dos demais órgãos competentes para garantir a integridade das famílias e evitar que a situação evolua para um confronto.
A comunidade afirma viver sob medo diante da possibilidade de perder as casas onde reside há quase três décadas. O caso também levanta a necessidade de esclarecimento sobre a situação jurídica da área e de uma atuação institucional que permita apurar as denúncias e prevenir novos episódios de violência.
Os assentados possuem plantações de banana, mandioca, pimenta-do-reino, café e outras culturas que já estão em produção.
Ainda segundo os moradores, o assentamento abriga muitos idosos, crianças e até pessoas que utilizam cadeira de rodas.
A região que fica próxima ao Parque Nacional do Monte Pascoal enfrenta há anos conflitos agrários e disputas territoriais. A comunidade cobra providências dos governos estadual e federal e das forças de segurança, mas até então Neuma providência foram tomadas para resolver a situação
Até o fechamento desta matéria, a reportagem não dispunha de confirmação independente sobre os disparos, a presença de armas, o bloqueio do acesso ou as circunstâncias exatas do episódio.
O Giro de Notícias mantém espaço aberto para manifestações dos representantes indígenas, do cacique Jurandir, do homem citado como Leandro, das forças policiais e dos órgãos responsáveis pela questão fundiária.