
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), esteve mais uma vez na Bahia para tratar da construção da Ponte Salvador–Itaparica, um projeto que se arrasta há cerca de 20 anos, desde o primeiro mandato do então governador Jaques Wagner.
Ao longo desse período, a obra foi anunciada diversas vezes, mas nunca saiu do papel. Agora, o governo tenta dar um novo sinal de avanço: durante a cerimônia realizada nesta quarta-feira (1º), no município de Vera Cruz, foi feita a cravação simbólica da primeira estaca, além da assinatura de um protocolo de intenções para liberação de recursos federais. No local, também foi instalada uma placa indicando o início do empreendimento — um gesto que, para muitos, representa mais um capítulo de uma promessa antiga.
Considerada uma das maiores obras de infraestrutura do país, a ponte é vista como estratégica para impulsionar o desenvolvimento econômico da região, facilitando a ligação entre Salvador e o Recôncavo Baiano.
Durante o discurso, Lula destacou que a Ilha de Itaparica ainda preserva um cenário de tranquilidade e segurança, diferente do que ocorre em grandes centros urbanos. Segundo ele, esse diferencial deve ser mantido mesmo com o avanço do desenvolvimento.
“Vocês têm aqui um valor que muita gente não tem no mundo, que é a tranquilidade de morar em uma ilha pacífica. Numa ilha que não foi tomada pelo crime organizado e onde muitas vezes é possível até dormir de janela aberta. Essa tranquilidade vocês não podem perder”, afirmou o presidente.
Apesar do novo marco simbólico, a população ainda acompanha com cautela o avanço do projeto, diante do histórico de promessas não cumpridas ao longo das últimas duas décadas.
O senador Jaques Wagner (PT-BA), alvo de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga supostas irregularidades envolvendo o Banco Master, estava no evento ao lado do seu principal aliado que é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
A investigação aponta que Wagner pode ter sido beneficiário de vantagens econômicas indevidas, em valores que ultrapassariam milhões de reais, em troca de atuação política favorável aos interesses da instituição financeira. Durante a operação, agentes apreenderam dinheiro em espécie, incluindo dólares e euros, além de outros bens em endereços ligados ao senador.
Segundo a Polícia Federal, há indícios de que o parlamentar teria atuado de forma alinhada aos interesses do banco dentro do Congresso Nacional. As apurações também envolvem empresários ligados ao Banco Master e possíveis relações com agentes públicos.