Chuva transforma desvio da BR-101 em cenário de abandono e deixa caminhoneiros horas presos na lama

Giro de Noticias - 10/09/2026 - 07:07


EXTREMO SUL DA BAHIA — O que deveria ser uma rota provisória para garantir o transporte de cargas enquanto a nova ponte sobre o Rio Jequitinhonha não fica pronta tem se transformado em um dos principais obstáculos enfrentados por caminhoneiros que circulam pelo Extremo Sul da Bahia.

Com a chegada da chuva, o desvio utilizado por caminhões e carretas voltou a apresentar problemas graves. Lama, atolamentos, filas quilométricas e horas de espera marcaram o trajeto nos últimos dias, expondo as dificuldades enfrentadas diariamente por motoristas que dependem da estrada para trabalhar.

O trecho, com aproximadamente 60 quilômetros, possui grande parte sem pavimentação e já é considerado difícil mesmo em condições normais. Quando chove, a situação se agrava rapidamente e pontos do percurso passam a oferecer risco de atolamento e interrupção do tráfego.

Caminhões ficaram presos por 21 horas

Na terça-feira (8), a situação chegou ao limite. Três caminhões ficaram atolados por volta das 18h, sendo dois no acesso a Santa Maria Eterna e outro nas proximidades da Rotatória 6, em Belmonte.

A passagem permaneceu comprometida durante toda a noite e só foi liberada por volta das 15h desta quarta-feira (9), aproximadamente 21 horas depois.

Mesmo após a retirada dos veículos, o trânsito não voltou imediatamente à normalidade. A lama e as condições da estrada continuaram provocando lentidão e dificuldades para a passagem dos veículos pesados.

Segundo a Secretaria de Infraestrutura da Bahia (Seinfra), equipes da própria secretaria e do Consórcio Costa do Descobrimento utilizaram motoniveladoras para retirar os caminhões. Duas máquinas e um trator permanecem no trecho para atender novas ocorrências.

Para quem está ao volante, o problema vai muito além do atolamento

A situação revela uma realidade que vem sendo relatada por motoristas e empresas do setor: quem precisa passar pelo desvio está sujeito a perder horas — e, em alguns casos, praticamente um dia inteiro de trabalho — em um percurso que deveria apenas servir como alternativa temporária.

Caminhoneiros relatam falta de estrutura ao longo da rota, incluindo ausência de sinal de celular, poucos pontos de apoio e dificuldade para conseguir assistência mecânica.

Quando um caminhão apresenta problema ou fica preso na lama, o motorista pode permanecer por horas esperando ajuda, muitas vezes sem estrutura adequada para alimentação, descanso ou comunicação.

Para o setor logístico, as consequências também aparecem diretamente no bolso. Empresas apontam aumento de até 30% nos custos operacionais, provocado pelo maior consumo de combustível, desgaste acelerado dos veículos, risco de avarias nas cargas e aumento do tempo necessário para concluir cada viagem.

Um percurso que anteriormente poderia ser feito em aproximadamente uma hora pode chegar a oito horas durante períodos de chuva, segundo relatos do setor.

Uma rota provisória que já dura tempo demais

O principal questionamento entre os usuários da estrada é quanto tempo os caminhoneiros ainda terão de enfrentar essas condições.

A rota foi criada como alternativa diante das restrições na ponte sobre o Rio Jequitinhonha, na BR-101. Enquanto a nova estrutura não é concluída, todo o transporte pesado da região continua dependendo de um caminho que demonstra dificuldades para suportar o fluxo de carretas, principalmente durante as chuvas.

A Seinfra informou que está em andamento a pavimentação de aproximadamente cinco quilômetros entre as rodovias BA-274 e BA-658, com previsão de conclusão em dezembro. A intervenção, entretanto, contempla apenas uma parte do trajeto utilizado como desvio.

Na prática, isso significa que boa parte da rota continuará dependendo das condições do tempo e da atuação emergencial das máquinas para manter o tráfego funcionando.

Caminhoneiros pagam a conta da falta de estrutura

Enquanto obras avançam e a nova ponte sobre o Rio Jequitinhonha segue em construção, são os motoristas que permanecem diariamente expostos às condições do desvio.

Cada atolamento representa mais combustível gasto, horas perdidas, desgaste mecânico e, em determinadas situações, risco de prejuízo à própria carga.

Para quem vive da estrada, a reclamação não é apenas sobre a lama. É sobre a falta de uma estrutura compatível com a importância econômica da rota e com o volume de caminhões que precisa utilizar o trecho.

A nova ponte segue dentro do cronograma informado pelas autoridades. Até que seja entregue e o tráfego pesado possa retornar à BR-101, entretanto, o desvio continuará sendo a realidade de milhares de caminhoneiros — e, a cada chuva, a estrada volta a mostrar que não está preparada para suportar essa demanda.

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