No Ceará, uma experiência inusitada tem trazido bons resultados no combate à dengue. A iniciativa promove a distribuição de peixes do tipo betta aos moradores de vários municípios do Estado.
Os animais ajudam no combate à transmissão, pois se alimentam das larvas dos mosquitos e são mais resistentes a ambientes poluídos ou com a presença de cloro.
Os tanques onde foram introduzidos os peixes tiveram uma redução da infestação em 320 vezes. A diminuição da contaminação nas caixas d'água foi de 46 vezes e nos potes, em 16 vezes.
O pesquisador responsável pelo projeto, Luciano Góes, conta que, de início, a idéia causou estranhamento de muitos, mas hoje já faz parte da vida da população.
O projeto foi apresentado na Expoepi, Mostra Nacional de Experiências Bem-Sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doenças, em Brasília.
Os casos de dengue notificados no país entre janeiro e setembro deste ano caíram 24% em relação ao mesmo período do ano passado. Os casos graves tiveram redução de 40% e as mortes provocadas pela doença, de 25%, no mesmo período.
Os números foram divulgados nesta terça-feira pelo secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, durante apresentação de um conjunto de ações para o enfrentamento da dengue no próximo verão.
Entre as medidas previstas estão um incentivo financeiro de R$ 90 milhões (20% a mais do valor anual do Piso Fixo de Vigilância e Promoção da Saúde) a ser distribuído para 989 municípios selecionados. O objetivo é qualificar ações de prevenção e controle da doença. Cada gestor local terá que notificar casos suspeitos de dengue grave e mortes, além de oferecer uma rede de atenção primária capaz de atender casos registrados em sua área de abrangência.