BAHIA - O publicitário e empresário Marcos Valério Fernandes é acusado, em denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MPE/Ba), de integrar duas quadrilhas de grilagem de terras com atuação em duas cidades do oeste baiano.
A denúncia do MPE, realizada no dia 19 de dezembro de 2011, mas divulgada nesta quinta-feira, 19, cita um caso em que, com ajuda de funcionárias de cartórios para falsificação de documentos, um terreno de 360m² foi transformado em “cinco enormes propriedades rurais”.
Além do publicitário, 34 pessoas foram denunciados à Justiça pelo MPE/Ba por participação em esquemas de falsificação de documentos públicos para, de forma ilegal, tornarem-se proprietários de imóveis nos municípios de Barreiras e São Desidério, oeste baiano.
Os acusados são os sócios de Marcos Valério na empresa DNA Propaganda Ltda., Ramon Hollerbach e Francisco Marcos Castilho Santos, além de outros empresários de Minas Gerais, da Bahia e de São Paulo.
Há também citação a agropecuaristas, agricultores, lavradores e advogados. As acusações, apresentadas pelos promotores de Justiça Carlos André Milton Pereira e George Elias Gonçalves Pereira, são de crimes de formação de quadrilha, falsidade ideológica, uso de documentos falsos.
Entre os acusados estão também três oficiais de cartório. Maria de Fátima Melo, Ana Elizabete Vieira e Nadir Tavares Botelho são acusadas de receber vantagens econômicas ilícitas para favorecer o esquema e foram denunciadas por corrupção passiva.
Segundo a assessoria de Comunicação do Tribunal de Justiça da Bahia, as oficiais de cartório citadas foram demitidas em junho de 2010, quando foram recebidas as denúncias sobre o caso.
O advogado Marcelo Leonardo, representante legal de Marcos Valério neste caso, afirmou, nesta quinta, que desconhece o teor da denúncia. "Não sei qual a acusação, não posso fazer a defesa. Ninguém teve acesso a essa denúncia", disse.