RIO DE JANEIRO - O fim da era Ricardo Teixeira na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) está próximo. O colunista do jornal ‘O Globo’, Anselmo Góis, garante que a saída do dirigente do comando acontecerá nesta quinta-feira (16).
A possível divulgação dos documentos sobre a problemática parceria FIFA-ISL, que o incriminaria, além de uma piora em sua saúde, estariam apressando a decisão de Ricardo Teixeira.
O programa ‘Domingo Espetacular’ da TV Record revelou denúncias contra uma das autoridades mais poderosas do país. US$ 9,5 milhões, quase R$ 16 milhões. Dinheiro que teria sido usado para subornar Ricardo Teixeira, o homem mais poderoso do futebol brasileiro.
Um documento mostra que a empresa acusada de receber a propina é sócia do presidente da CBF até hoje. O ‘Domingo Espetacular’ não teve contato com os dois jornalistas que fizeram a denúncia: Andrew Jennings, da BBC de Londres, e François Tanda, um dos principais repórteres da Suíça.
Os jornalistas autores da denúncia tiveram acesso a documentos sigilosos que mostram o envolvimento de alguns dos dirigentes da FIFA (Federação Internacional de Futebol) num esquema milionário de propinas. Ricardo Teixeira seria um deles.
Informações que comprometem o presidente da CBF estão em um prédio, na cidade suíça de Zug. É uma investigação do Ministério Público suíço. Graças a uma manobra dos advogados da FIFA, os documentos estão bloqueados para a imprensa. Mas esses jornalistas viram a lista de pagamentos secretos. Segundo eles, os subornos chegam a US$ 100 milhões, quase R$ 200 milhões.
O dinheiro teria sido distribuído nos anos 1990 por uma empresa de marketing esportivo, a ISL. Segundo a investigação, a ISL pagava propina aos cartolas da FIFA. Em troca, os cartolas davam à ISL o controle dos direitos de transmissão e dos contratos de patrocínio das Copas do Mundo.
Segundo a BBC, um dos cartolas subornados é João Havelange, que presidiu a FIFA por mais de duas décadas. Outro é Ricardo Teixeira, genro de Havelange e presidente da CBF há 22 anos. Segundo a reportagem da BBC de Londres, Ricardo Teixeira e João Havelange tiveram que devolver parte do dinheiro da propina depois de um acordo com autoridades suíças.
Esta semana o ‘Domingo Espetacular’ teve acesso a dados que revelam quanto e quando Ricardo Teixeira teria recebido esse dinheiro. Foram 21 depósitos feitos pela ISL à Sanud durante cinco anos. O primeiro pagamento foi de US$ 1 milhão, no dia 10 de agosto de 1992. Um documento mostra que um mês depois desse pagamento a Sanud se tornou sócia de uma empresa de Ricardo Teixeira no Rio de Janeiro, a RLJ.
O segundo depósito, novamente de US$ 1 milhão, teria sido em faveiro de 1993. Há vários registros de dois pagamentos no mesmo dia - por exemplo, US$ 500 mil em maio de 1995. Os dois últimos, de US$ 250 mil cada, foram feitos em novembro de 1997. Pouco mais de um ano depois, a Sanud foi fechada.
Em depoimento à CPI, há dez anos, o dirigente insistiu que não tem empresas no exterior e que a riqueza dele é compatível com a renda. Teixeira foi acusado de mentir à CPI. Há indícios de que a Sanud, na verdade, pertencia a ele. Documentos obtidos mostram que Guilherme Terra Teixeira, irmão de Ricardo Teixeira, assina como representante da Sanud no Brasil.
Em documentos registrados na Junta Comercial do Rio de Janeiro, a Sanud ainda controla 50% da principal empresa de Ricardo Teixeira.
A imagem do presidente da CBF no exterior está cada vez mais desgastada. Ainda existem dúvidas sobre sua capacidade de organizar a Copa do Mundo. Uma tradicional revista inglesa de esportes acaba de publicar uma reportagem sobre o futebol brasileiro e diz que a organização da Copa-2014 é caótica. A publicação critica os preparativos para o Mundial.