Fetos anencéfalos não têm vida, diz relator no Supremo

- 11/04/2012 - 14:49


Marco Aurélio deu ênfase ao fato de que a Constituição consagra o caráter laico do Estado

BRASÍLIA - Relator no Supremo Tribunal Federal (STF) da ação que visa descriminalizar a interrupção de gestações de anencéfalos, o ministro Marco Aurélio de Mello votou nesta quarta-feira (11) a favor da medida. Para ele, dogmas religiosos não podem guiar decisões estatais e bebês com ausência parcial ou total de cérebro não têm vida. O julgamento continua na mais alta corte do país.

Ao contrário do que defendem entidades religiosas, em especial as ligadas à Igreja Católica, Mello afirmou que o feto anencéfalo não tem potencialidade de sobrevivência. "Hoje é consensual no Brasil e no mundo que a morte se diagnostica pela morte cerebral. Quem não tem cérebro não tem vida", disse. "Aborto é crime contra a vida em potencial. No caso da anencefalia, a vida não é possível. O feto está juridicamente morto."

O ministro reforçou a separação entre Estado e religião ao citar o “sob a proteção de Deus” do preâmbulo da Constituição Federal como uma referência sem efeito prático e criticou as referências em notas de real e em repartições públicas. Mello afirmou que a questão dos anencéfalos “não pode ser examinada sob os influxos de orientações morais religiosas”.

Marcelo Croxato e Joana Croxato protestam com a filha Vitória, que sofre de acrania, contra a descriminalização do aborto em caso de fetos anencéfalos.

“A garantia do Estado laico obsta que dogmas de fé determinem o conteúdo de atos estatais. Concepções morais religiosas, quer unânimes, quer majoritárias, quer minoritárias, não podem guiar as decisões estatais, devendo ficar circunscritas à esfera privada”, disse. “Ao Estado brasileiro é vedado promover qualquer religião.”

Segundo o relator, a polêmica era prevista, porque é “inescapável o confronto entre os interesses da mulher e de parte da sociedade que desejam proteger todos os que a integram”. “[Mas] não há colisão real entre direitos fundamentais. Apenas há conflito aparente”, disse Mello, o primeiro ministro a se manifestar nesta quarta-feira.

“Na discussão mais ampla sobre o aborto, incumbe identificar se existe algum motivo para interromper a gestação de um feto sadio. No caso dos anencéfalos, o foco se mostra diverso”, disse ele, que ainda citou o evangelho de São Marcos para defender a separação entre Estado e Igreja. “Dai a Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus.”

Para o ministro, defender o Estado laico não se confunde com laicismo. “A laicidade é atitude de neutralidade do Estado. Laicismo é atitude hostil”, disse. “Deuses e Césares têm espaços apartados. O Estado não é religioso. Tampouco é ateu. É simplesmente neutro”, afirmou.

Grupo coloca faixa a favor do aborto em passarela de avenida no Ibirapuera, na zona sul de São Paulo

A ação chegou ao STF em 2004, por sugestão da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde (CNTS). A entidade defende o aborto quando há má formação cerebral sem chance de longa sobrevivência para a criança. Para grupos religiosos, incluindo a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o princípio mais importante é o de que a vida deve se encerrar apenas de forma natural.

Mas há controvérsias de que o bebê anencéfalo, de fato, vive – mesmo que brevemente. Juristas, que autorizam a interrupção de gestações desse tipo há mais de 20 anos, alegam que legalmente a vida termina na morte cerebral.

É apenas depois disso que são autorizados os transplantes e o desligamento dos aparelhos. Os anencéfalos nunca chegam a ter vida cerebral. É por isso que os especialistas inclusive são contrários ao uso do termo "aborto" - preferem usar "interrupção da gravidez" ou "antecipação do parto".

Será o último grande julgamento da Corte sob a presidência do ministro Cézar Peluso, que se aposentará compulsoriamente em setembro, quando atingirá a idade limite de 70 anos de idade. Carlos Ayres Britto o sucederá a partir do dia 19 de abril.

Os críticos do aborto de bebês nessa situação citam um caso de 2008 em Patrocínio Paulista, interior de São Paulo. Marcela de Jesus Ferreira sobreviveu um ano e oito meses porque a ausência de cérebro não era total e porque sua mãe, Cacilda Galante Ferrari, se recusou a interromper a gravidez.

 

Fonte: FOLHA

WhatsApp Giro de Notícias (73) 98118-9627
Adicione nosso número, envie-nos a sua sugestão, fotos ou vídeos.


Compartilhe:

COMENTÁRIOS

Nome:

Texto:

Máximo de caracteres permitidos 500/



Se DEUS propôs essa missão nós temos que receber e fazer a vontade de DEUS. Da maneira que está daqui ha um tempo será proibido pelo STF a mulher gerar vidas e eles quererem passar essa missão deixada por DEUS para nós mulheres e passar para os gays. Vivemos na era da Cristofobia.
Catholica reformada, sou pela vida

eu acho uma aberraçao v c s votarem afavor de matar uma vida indefesa
jose carlos ribeiro da silva

o que será deste mundo o PAI,de forma indiscreta homem esta acabando com tudo o que fizeste,o homem estar realmente ignorando a natureza as coisas do SENHOR,agora como se não bastassem querem acabar as vidas indefesas,gente essas crianças são as que devem realmente viverem,acredito que são ela um dia o futuro melhor do mundo em termo de paz, que jás mais ira fazer o mal a alguem, assim como esses hipocritas sem amor como estes que estão querendo extermina los antes de vir al mundo... PAI prover,
indignada

somente um hipocrita, para não acreditar no amor e cumprir um ato desse. a mulher que é mulher o primeiro ataraso de sua mestruação ja é um ato de felicidade, uma vez que a mulher sabe que ela é capaz de criar uma vida ela já mais em hipotese alguma adimitira este absurdo,Deus criou a mulher com muita sensibilidade, e a mulher que realmente nasceu para ser mãe nunca mais nunca cometera este que para me e considerado mais que um crime...
indignada

êxodo 20:13 (Não Matarás)


Não sou contra o aborto, apenas defendo a vida do meu próximo acima de tudo!
Sou cristão aborto digo não

Mandei matar uma porca porque ela comia os filhotes assim que paria, o que d eivemos fazer com as mulheres que comem seus filhos?
Fazendeiro

Se agora podemos decidir a vida e a morte, vamos aprovar a pena de morte, eutanásia, suicídio... Agora lascou
Somos deuses

Existem grupos que defendem as baleias, os macacos, as arvores, tartarugas em desova, peixes com ovas, e não tem quem defenda a espécie humana.
Contrariedades brasileira

Parabéns aos católicos, evangélicos e espíritas que estão fazendo vigílias e orações contra esse crime e absurdo. Viva a vida, viva a mulher!
A união faz a força

Se temos que abortar essas crianças porque elas não irão atingir a idade adulta, elas não vão produzir, trabalhar , gerar dinheiro... Então somos meras reprodutoras? A mulher só vale pelo que produz? Se meu filho for cego, deficiente, vegetativo... Ele não deve nascer? Pergunta para quem tem um filho especial se eles queriam que o filho tivesse nascido morto?
Curiosa

Porqueao invés de matar não ajudamos as mães a terem condições de salvar a vida de seus filhos? Vamos fazer irrecusável e escolas!
Tenho a solução

Primeiro matamos as crianças que podem viver pouco tempo, e depois vamos matar os idoso? Aidéticos? Cancerosos, presos...
Revolta

Se vamos matar quem não tem cérebro, o que será de nossos políticos?
Itabelense

É um direito da mulher fazer o que bem desejar com seu corpo, mas a vida que está em nosso ventre não é nossa, mas de um ser humano que já vive em nós. Uma vez grávida, já somos mães... Viva ou não nossos filhos.
Mulher mãe

É um direito da mulher fazer o que bem desejar com seu corpo, mas a vida que está em nosso ventre não é nossa, mas de um ser humano que já vive em nós. Uma vez grávida, já somos mães... Viva ou não nossos filhos.
Mulher mãe