Moraes barra sindicância do CFM para apurar tratamento a Bolsonaro. A decisão recebeu críticas de aliados, médicos e familiares.

Giro de Noticias - 08/01/2026 - 10:54


O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou a nulidade da determinação do Conselho Federal de Medicina (CFM) de instaurar sindicância para apurar denúncias sobre as condições de atendimento médico prestado a Jair Bolsonaro, preso na Superintendência Regional da Polícia Federal desde novembro de 2025.

De acordo com Moraes, Bolsonaro tem atendimento médico em tempo integral e, quando o ex-presidente precisou, foi prontamente socorrido. Segundo o ministro, não houve qualquer omissão ou inércia da equipe médica da Polícia Federal, que “atuou correta e competentemente”, e acrescentou: “o que pode ser corroborado pelos exames médicos realizados pelo ex-presidente no Hospital DF Star, que não apontaram nenhum problema ou sequela em relação à queda na madrugada de ontem”. No dia 6 de janeiro, o ex-presidente caiu na cela da PF e sofreu “ferimentos leves”, de acordo com a corporação.

Para Moraes, o CFM age com desvio de finalidade. “A ilegalidade e ausência de competência correicional do CFM em relação à Polícia Federal é flagrante, demonstrando claramente o desvio de finalidade da determinação, além da total ignorância dos fatos”.

O ministro, no entanto, orientou à PF que ouça o presidente do CFM, José Hiran da Silva Gallo, sobre seus questionamentos. A família de Bolsonaro escreveu em redes sociais que o ex-presidente não recebeu o tratamento adequado e não pôde realizar os exames necessários.

Na manhã desta quarta-feira (7/1), o CFM determinou ao Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF) a imediata instauração de sindicância para apuração de fatos relacionados às denúncias recebidas de que Bolsonaro não tem recebido o devido tratamento médico.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro fez duras críticas às autoridades responsáveis pela custódia do ex-presidente Jair Bolsonaro, ao afirmar que a saúde do marido está em risco e atribuir eventual agravamento do quadro ao ministro Alexandre de Moraes e ao PGR Paulo Gonet.

Em declarações feitas a jornalistas nesta terça-feira, 6, Michelle disse que o ex-presidente está sendo torturado.

"É uma mancha para a instituição se acontecer alguma coisa com meu marido. (...) Não é possível que mais uma vez vai ter sangue de inocente na mão do excelentíssimo Ministro, e do Gonet."

As declarações ocorreram após Michelle visitar o ex-presidente na Superintendência da PF, em Brasília, horas depois de Bolsonaro sofrer uma queda. Segundo ela, a família só conseguiu compreender a gravidade do episódio após atraso no acesso ao local.

"A gente não sabia até então o que, de fato, tinha acontecido com ele, pelo atraso da visita. Chegando lá, eu vi que ele estava com esse hematoma no rosto, com o pé sangrando. Estava um pouco lento nas respostas, tentei conversar, mas ele não lembrava de nada."

Ela também afirmou que a saúde de Bolsonaro exige cuidados constantes, os quais não estariam sendo assegurados na atual condição de custódia. "Ele precisa de um enfermeiro ali dentro do quarto, ele está sendo negligenciado, ele está sendo torturado."

Em outro momento, Michelle voltou a cobrar sensibilidade das autoridades e associou o episódio a decisões judiciais recentes, mencionando diretamente Moraes e Gonet.  "Isso é fruto de um atentado. Então, a gente espera o bom senso do ministro Alexandre de Moraes, o bom senso do ministro Gonet, que já tem uma vida ceifada, que é a do Clezão. E a gente não quer que aconteça isso com o presidente."

Nesta quarta-feira, 7, Moraes autorizou que Jair Bolsonaro fosse levado a uma unidade hospitalar para a realização de exames médicos. A decisão considerou tanto o pedido da defesa quanto um relatório elaborado pela Polícia Federal, que descreveu lesões superficiais decorrentes da queda e o histórico clínico do ex-Presidente.

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