Produtores rurais bloqueiam BR-101 pelo segundo dia consecutivo em protesto contra invasões de terras nas regiões de Prado e Itamaraju no extremo sul da Bahia

Giro de Noticias - 18/02/2026 - 20:47


Produtores rurais realizaram bloqueios na BR-101 entre terça-feira (17) e esta quarta-feira (18), no trecho que passa por Itamaraju, no extremo sul da Bahia. A mobilização ocorre nas proximidades do Posto Serral, onde manifestantes utilizaram tratores e barricadas para interromper o tráfego.

Segundo os organizadores, o protesto é motivado por conflitos fundiários e por relatos de invasões de propriedades rurais e estabelecimentos comerciais por grupos que se autointitulam indígenas, especialmente em áreas de Cumuruxatiba e Corumbal, no município de Prado.

Os produtores afirmam que o objetivo é chamar a atenção das autoridades para a necessidade de medidas que assegurem segurança jurídica, reforço no policiamento e devolução de áreas que, segundo eles, teriam sido ocupadas de forma violenta e sem respaldo legal.

De acordo com os manifestantes, parte das invasões seria atribuída a um grupo de cerca de 20 pessoas que se identificam como indígenas. As duas ocorrências mais recentes teriam sido registradas na Fazenda Dois Irmãos e no Manzuko Beach Club. Conforme relatos, o grupo teria chegado durante a madrugada, efetuado disparos e feito proprietários e funcionários reféns.

Ainda segundo denúncias de moradores, algumas ocupações teriam sido acompanhadas de expulsão de residentes e subtração de mercadorias, insumos agrícolas, veículos e bens pessoais.

Moradores e proprietários de Cumuruxatiba relatam clima de tensão nos últimos dias. Há registros de supostas ações criminosas noturnas em propriedades, com disparos de arma de fogo e furtos. As informações, no entanto, têm como base relatos e ainda dependem de apuração oficial.

Até o momento, não há balanço divulgado por autoridades sobre prisões ou identificação de responsáveis. A autoria dos ataques é tratada como alegação.

Produtores também manifestam críticas à atuação da Força Nacional de Segurança Pública em áreas de conflito. Parte dos manifestantes afirma que o efetivo atuaria prioritariamente em apoio a comunidades indígenas. “Ela só aparece quando é para garantir que os produtores retirem seus pertences das terras”, declarou um participante do ato.

Os conflitos agrários no entorno do Parque Nacional do Descobrimento teriam se intensificado após portarias declaratórias assinadas pelo então ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, em novembro de 2025, reconhecendo a posse permanente da Terra Indígena Comexatibá (Cahy-Pequi). As medidas fazem parte de processos de demarcação e regularização fundiária.

Segundo produtores, a área delimitada soma 28.077 hectares e abrangeria cerca de 300 famílias de pequenos e médios produtores. O território apresenta sobreposição com o parque nacional e com o Projeto de Assentamento Cumuruxatiba, ligado ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

A reportagem informou que procurou representantes dos governos estadual e federal e aguarda posicionamento. Enquanto isso, motoristas são orientados a buscar rotas alternativas. Produtores e comerciantes afirmam que as manifestações podem continuar por tempo indeterminado, até que haja medidas governamentais sobre a situação.

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