
O senador e ex-líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), tentou vender um terreno avaliado em R$ 15,8 milhões um dia após ser alvo de uma operação da Polícia Federal no chamado Caso Master. A negociação, no entanto, foi barrada por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), conforme documentos obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo.
O imóvel, com cerca de 51 mil metros quadrados, está localizado na região metropolitana de Salvador. Segundo a reportagem, o terreno teria sido adquirido por Wagner no ano 2000 e posteriormente negociado com um grupo de empresas do setor imobiliário. Pela transação, o senador teria recebido R$ 2 milhões à vista.
A operação da Polícia Federal ocorreu no dia 18 de junho e apura suspeitas de favorecimento indevido. De acordo com as investigações, Wagner teria solicitado ao empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, a compra de um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões, com a intenção de recomprá-lo posteriormente para sua filha. O senador nega irregularidades.
Já no dia 19 de junho, a escritura de venda do terreno foi apresentada em um cartório da comarca de Camaçari. Contudo, o registro foi impedido após determinação do ministro André Mendonça, relator do caso no STF, que decretou a indisponibilidade do imóvel.
“Em cumprimento ao protocolo nº 202606.2214.04764407-IA-517, datado de 22 de junho de 2026, processo nº 16230, expedido pelo ministro André Luiz de Almeida Mendonça, fica averbada nesta data a indisponibilidade sobre o imóvel objeto da matrícula supra, de propriedade de Jaques Wagner”, informa o documento.
Em nota ao Estadão, a defesa do senador afirmou que não há qualquer irregularidade na transação. “Todos os fatos são públicos e registrados. Não há mínima irregularidade nem nada a esconder”, declarou.
Além do terreno, Wagner também teria negociado a venda do apartamento onde reside em Salvador, avaliado em R$ 10 milhões. O comprador seria o prefeito de Conceição do Coité, Marcelo Passos (União Brasil), adversário político do PT na Bahia.
Segundo a reportagem, o contrato de compra e venda do imóvel foi firmado ainda em dezembro de 2025, com pagamentos realizados até abril deste ano. A escritura foi lavrada em maio, e o pedido de registro protocolado em 10 de junho — oito dias antes da operação da Polícia Federal. No entanto, o cartório não concluiu o processo após receber a ordem de bloqueio do STF.
Marcelo Passos afirmou ter agido de boa-fé na negociação. “Tenho um nome a zelar e nunca estive envolvido em nenhuma irregularidade. Essa transação foi feita dentro da mais absoluta legalidade, com todos os pagamentos devidamente comprovados”, disse.