
Uma operação policial realizada na manhã desta segunda-feira (20/04) na comunidade do Vidigal, na Zona Sul do Rio de Janeiro, teve como principal alvo o traficante Ednaldo Pereira Souza, conhecido como “Dadá”, apontado como chefe do tráfico de drogas nas regiões de Trancoso e Caraíva, no extremo sul da Bahia.
De acordo com as investigações, Dadá é líder da facção criminosa Primeiro Comando de Eunápolis (PCE) e vinha sendo monitorado pelas autoridades baianas. Após informações indicarem sua presença no Rio de Janeiro, a Polícia Civil fluminense foi acionada e montou a operação para capturá-lo.
Segundo a polícia, o criminoso estava escondido na Rocinha, em São Conrado, e, durante o feriado de Tiradentes, teria alugado uma casa no Vidigal, onde realizava uma festa com familiares e amigos. No entanto, ao perceber a chegada dos agentes, ele conseguiu fugir por uma passagem secreta estreita, que impediu a progressão dos policiais, especialmente por conta dos coletes balísticos.
Durante a ação, houve intenso tiroteio na comunidade, causando pânico entre moradores e turistas, que ficaram ilhados. Um helicóptero da polícia sobrevoou a região em apoio às equipes em solo, e a Avenida Niemeyer chegou a ser interditada por questões de segurança.
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Na operação, uma mulher identificada como Núbia Santos de Oliveira foi presa. Conforme as investigações, ela é companheira de outro traficante e atuava na lavagem de dinheiro da organização criminosa.
As autoridades também apontam que Dadá havia fugido do presídio de Eunápolis, na Bahia, em 2024, com suposta facilitação interna. A ex-diretora da unidade prisional, Joneuma Silva Neres, afirmou em delação premiada que manteve relacionamento com o criminoso e que houve pagamento de propina para viabilizar a fuga.
Ainda segundo a delação, o ex-deputado federal Uldurico Júnior teria recebido cerca de R$ 2 milhões para colaborar com a fuga de Dadá e de outros detentos. A defesa do político nega qualquer envolvimento no caso. O nome do ex-ministro Geddel Vieira Lima também foi citado indiretamente, o que também foi negado.
Uldurico Júnior foi preso recentemente na Bahia, no âmbito das investigações que apuram a atuação de organizações criminosas dentro do sistema prisional de Eunápolis.
A operação desta segunda-feira foi coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Bahia, com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), da Polícia Civil do Rio de Janeiro.
Apesar da grande mobilização policial, o principal alvo da ação segue foragido.