PF investiga esquema de extração ilegal de ouro na Bahia com danos ambientais estimados em mais de R$ 180 milhões

Giro de Noticias - 27/10/2026 - 08:49


Operação Repasse cumpre mandados em Santaluz e busca recuperar bens ligados à atividade criminosa; investigação aponta uso de substâncias tóxicas no processamento de resíduos de garimpo.

A Polícia Federal investiga um grupo suspeito de manter, durante anos, um esquema de extração ilegal de ouro e processamento de resíduos de garimpo em Santaluz, no nordeste da Bahia. Segundo relatórios periciais, os danos ambientais associados às atividades investigadas ultrapassam R$ 180 milhões.

Para avançar nas apurações e recuperar bens relacionados ao esquema, a PF deflagrou a Operação Repasse, com o cumprimento de dois mandados de busca e apreensão no município. A ação tem como objetivo recolher bens que já estavam sujeitos a sequestro judicial e apreender outros materiais identificados durante as investigações.

De acordo com a Polícia Federal, os suspeitos teriam ampliado a atividade ilegal com a instalação de laboratórios destinados ao processamento de rejeitos fornecidos por garimpeiros que atuavam irregularmente. Nesses locais, o ouro era recuperado por meio da lixiviação, um processo químico que utiliza cianeto de sódio para separar o metal de outros materiais.

O emprego irregular dessa substância pode provocar graves consequências ambientais e representar riscos à saúde humana, especialmente quando há contaminação do solo e dos recursos hídricos.

Investigação teve início em operações anteriores

A Operação Repasse é resultado do aprofundamento de investigações conduzidas no âmbito das operações Garça Dourada, Serra Dourada e Lixiviação, realizadas entre junho de 2023 e agosto de 2024.

Durante as apurações, os investigadores reuniram elementos que apontam para a exploração irregular de recursos minerais e o processamento de rejeitos de garimpo, além de possíveis movimentações financeiras relacionadas às atividades investigadas.

Os suspeitos foram indiciados por uma série de crimes, entre eles usurpação de bens da União, associação criminosa, extração ilegal de recursos minerais, posse de artefatos explosivos, uso ou armazenamento ilícito de substâncias tóxicas e lavagem de dinheiro.

A nova fase busca avançar na recuperação de bens e reunir outros elementos de prova. As investigações continuam sob responsabilidade da Polícia Federal.

Os indiciamentos representam a conclusão de uma etapa investigativa e não equivalem, por si só, a uma condenação judicial.

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