
O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), foi vaiado durante a Lavagem do Bonfim, nesta quinta-feira (15), episódio que evidenciou o crescente desgaste de sua gestão. Pesquisas internas da base governista indicam aumento da rejeição ao governador e fortalecimento do desejo de mudança por parte da população, impulsionado sobretudo pelos problemas na saúde e na segurança pública.
Além das vaias, o governador enfrentou protestos com cartazes cobrando ações mais efetivas contra a violência. Prefeitos aliados já admitem, nos bastidores, que Jerônimo dificilmente repetirá em 2026 o desempenho eleitoral de 2022. Em um município do interior, levantamento encomendado por um gestor bem avaliado apontou queda de quase 15 pontos percentuais na popularidade do governador em relação ao segundo turno da última eleição.
Chamou atenção também o forte esquema de segurança em torno de Jerônimo durante o cortejo, com grande número de policiais e pouco contato direto com o público, reforçando a percepção de distanciamento e insegurança política — justamente em meio à crise na área da segurança pública, apontada como o principal ponto fraco das gestões petistas no estado.
Nos bastidores, o clima foi de constrangimento. Um secretário estadual foi impedido de acessar a Igreja da Conceição da Praia pela própria segurança do governo, gerando irritação. Paralelamente, episódios envolvendo membros do primeiro escalão e disputas internas aumentam a tensão entre aliados.
A movimentação política também revelou instabilidade na base. O deputado estadual Raimundinho da JR, eleito pelo PL e hoje alinhado ao governo, sinalizou possível retorno à oposição ao perceber falta de espaço para viabilizar sua candidatura a deputado federal. A avaliação é de que o ciclo petista na Bahia entra em fase de esgotamento.
Outro foco de tensão envolve o senador Angelo Coronel, que evitou comparecer à Lavagem, mas teve presença simbólica marcante por meio de apoiadores e camisetas com seu slogan, causando desconforto entre aliados do governador. Nos bastidores, cresce a percepção de isolamento político do grupo Coronel dentro da base governista.
Por fim, contratos da Embasa publicados no Diário Oficial, que somam mais de R$ 600 milhões em obras de saneamento com prazo de execução de 19 anos, geraram críticas e ironias entre técnicos e políticos, por coincidirem com o tempo de permanência do PT no comando do estado.