Buscas, apreensões e intervenção judicial em asilo mobilizam autoridades em Itabela.

Giro de Noticias - 02/04/2026 - 15:59


A manhã desta quinta-feira (02/04) foi marcada por uma grande movimentação em Itabela, após uma operação conjunta do Ministério Público da Bahia e da Polícia Civil da Bahia na Casa dos Idosos Giuseppe Aras.

Por volta das 9h, o promotor de Justiça Igor Assunção e o delegado Jhoson Tanimoto, com apoio da Polícia Militar da Bahia, estiveram na instituição para cumprir medidas judiciais, dar posse aos interventores nomeados pela Justiça.

Foram designados para assumir a gestão da entidade a servidora pública Cleia Gondinho, como coordenadora, e o também servidor público Darlan, como diretor da instituição. A partir de agora, ambos passam a responder integralmente pela administração financeira, operacional e institucional do asilo.

Intervenção judicial e denúncias graves

A ação ocorre no âmbito de uma intervenção judicial motivada por uma Ação Civil Pública que aponta uma série de irregularidades na administração da entidade. Segundo as investigações, há indícios de desvios de recursos, realização de empréstimos fraudulentos em nome dos idosos e movimentações financeiras consideradas atípicas.

De acordo com os órgãos envolvidos, o fluxo financeiro da instituição estaria sendo utilizado para finalidades alheias ao acolhimento dos residentes, em desacordo com normas de assistência social e previdenciárias.

Uso do espaço para atividades criminosas

As apurações também revelaram situações ainda mais graves. Há suspeitas de que a estrutura do asilo estaria sendo utilizada como base de apoio para atividades criminosas.

Conforme a investigação, um dos dirigentes, Ionan Galo Toscano de Brito, atualmente sob custódia, teria permitido a utilização do local para ocultação de veículos roubados, além da circulação de indivíduos armados supostamente ligados ao tráfico de drogas, colocando em risco a segurança de idosos e funcionários.

Afastamentos e fraudes contra idosos

Diante da gravidade dos fatos, a Justiça determinou o afastamento imediato dos dirigentes Ionan Galo Toscano de Brito e Rafaelita Silva de Aragão, conhecida como “Lita”, que foi alvo de busca e apreensão durante a operação desta quinta-feira 02/04.

Segundo o Ministério Público, Rafaelita, que chegou a assumir a presidência da Associação São João Batista em março de 2020, teria participação ativa em um esquema de empréstimos fraudulentos realizados em nome dos idosos. As investigações apontam que ela levava os residentes até um correspondente bancário para formalizar operações irregulares, causando prejuízos financeiros às vítimas.

Outro caso investigado envolve Ionan Galo Toscano de Brito, acusado de continuar recebendo benefício previdenciário de uma idosa falecida há mais de 10 anos, utilizando o cartão para fins próprios, o que pode configurar estelionato previdenciário e apropriação indevida.

Venda de imóvel e novas apurações

Ainda de acordo com o Ministério Público, Ionan também teria vendido um imóvel pertencente à associação por valor muito abaixo do mercado. O prédio está localizado na Rua Castelo Branco, no bairro Bandeirante, em Itabela.

A Polícia Civil da Bahia segue analisando documentos e materiais apreendidos durante a operação. O objetivo é aprofundar as investigações, dimensionar os prejuízos e identificar todos os possíveis envolvidos.

Garantia de proteção aos idosos

A intervenção judicial tem como principal objetivo garantir a proteção dos idosos acolhidos, além de restabelecer a legalidade, a transparência e o correto funcionamento da instituição.

De acordo com o promotor de Justiça, já consta na peça judicial um pedido para que a Justiça determine que o Hospital Frei Ricardo, atualmente sob a gestão da Associação São João Batista, seja entregue de forma definitiva ao Município de Itabela.

Além disso, há também manifestação favorável do Ministério Público para que um conjunto de casas construídas pela associação na década de 1990, localizado no bairro Irmã Dulce, tenha sua situação regularizada, podendo ser incorporado ao patrimônio do município e destinado, conforme decisão judicial, aos verdadeiros moradores que ocupam os imóveis desde sua construção.

A pedido da polícia, com o aval do Ministério Público, a Justiça determinou o bloqueio de todas as contas que eram utilizadas pela antiga diretoria da entidade. A partir de agora, apenas o interventor poderá movimentar os recursos financeiros vinculados à instituição.

Além das contas em nome de membros da entidade, também foram identificadas contas registradas em nome de terceiros, onde há suspeitas de que valores elevados estariam sendo desviados da entidade para benefício particular.

As autoridades reforçam que as investigações continuam e novas medidas podem ser adotadas conforme o avanço das apurações.

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