
A passagem de ACM Neto pelo extremo sul da Bahia, na última sexta-feira (31/07), apesar de marcada por um grande ato político em Teixeira de Freitas, também deixou sinais claros de insatisfação entre lideranças da direita na região.
O evento, que oficializou a pré-candidatura do vereador Jonatas Santos (União Brasil) a deputado federal, reuniu milhares de pessoas no Rancho Gol, no bairro Bela Vista, e transformou a Rua Águas Claras em um verdadeiro corredor de participação popular. A quadra e as áreas externas ficaram completamente lotadas, evidenciando força política e mobilização.
No entanto, nos bastidores, nem tudo foi celebração.
Um dos momentos que gerou desconforto ocorreu durante a fala do candidato ao Senado, João Roma (PL). Em tom firme, ele defendeu o fim das rivalidades entre grupos aliados em cidades como Itamaraju, afirmando que o foco deveria ser a união e que as disputas municipais deveriam ficar para depois. A declaração, porém, não foi bem recebida por lideranças locais, que avaliam que o cenário político na cidade é mais complexo, marcado por rompimentos e insatisfações, especialmente em relação à condução da atual gestão municipal com antigos aliados, como o ex-candidato Dr. Marcelo e o vice-prefeito Gilson Guimarães, conhecido como “Le da LR”.
Outro ponto que chamou atenção foi a ausência de citações diretas a algumas lideranças locais durante os discursos. Em especial, causou estranheza o fato de João Roma não mencionar o vice-prefeito de Itamaraju, Gilson Guimarães, mesmo sendo um nome ligado ao PL na região. O fato ocorreu em Prado.
Além disso, também repercutiu entre apoiadores a ausência de referências ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao deputado Flávio Bolsonaro durante o evento. Em uma região onde o eleitorado historicamente se divide entre PT e PL, a falta de menção a essas lideranças foi interpretada por alguns como sinal de cautela ou tentativa de reposicionamento político, o que acabou afastando parte da base mais alinhada ao bolsonarismo.
Outro episódio que gerou comentários foi a divergência de discurso dentro do próprio grupo político. Enquanto João Roma defendeu a união e o adiamento das disputas locais, o deputado federal Arthur Maia (União Brasil) adotou postura diferente ao lançar, durante sua fala, um nome do meio empresarial para a disputa municipal, evidenciando falta de sintonia entre as lideranças presentes.
Apesar dos ruídos, o evento foi considerado um dos maiores atos políticos recentes de Teixeira de Freitas. A presença de ACM Neto, do vice na chapa ao governo Zé Cocá (PP), além de prefeitos, vereadores e lideranças de diversas cidades, reforçou o peso regional do encontro.
Durante o evento, Jonatas Santos emocionou o público ao relembrar sua trajetória no bairro Bela Vista, onde nasceu e cresceu, destacando sua ligação com a comunidade e reforçando o compromisso de representar o extremo sul em Brasília.
ACM Neto, por sua vez, destacou a importância de ampliar a representatividade da região e defendeu uma gestão mais próxima dos municípios, caso seja eleito governador.
Mesmo com a forte mobilização popular, a passagem da comitiva pelo extremo sul deixou claro que, além de demonstrar força política, o grupo ainda enfrenta desafios internos, divergências de estratégia e a necessidade de alinhar discursos para consolidar sua base na região.
Outro fator que reforçou os questionamentos foi a ausência de nomes ligados ao PL, como Leandro de Jesus, Raissa Soares e Capitão Alden, o que demonstra que nem todos os aliados estão plenamente alinhados com a condução da campanha no estado.
analistas alertam: municipalizar eleições pode comprometer disputas para governo e senado
ESPAÇO ABERTO: A reportagem deixa espaço aberto para manifestação das lideranças citadas sobre os pontos levantados.