
O que era para ser uma solução provisória virou, na prática, um retrato do descaso. Caminhoneiros voltaram a bloquear a BR-101 na tarde desta segunda-feira (3), no trevo de Santa Maria Eterna, distrito de Belmonte, após as chuvas transformarem o chamado “desvio” em um verdadeiro lamaçal intransitável.
O protesto começou por volta das 16h e interrompeu completamente a passagem de veículos de carga. A revolta não surgiu do nada: motoristas relatam mais de 24 horas de espera, sem qualquer estrutura mínima de apoio, presos em uma rota alternativa que, na prática, não suporta o volume de tráfego pesado que foi obrigada a absorver.

UMA CRISE QUE NÃO É DE HOJE
A situação já era previsível. Desde a restrição de tráfego na ponte sobre o Rio Jequitinhonha, em Itapebi, caminhões e carretas foram empurrados para rotas alternativas — muitas delas sem qualquer preparo para suportar esse fluxo.
O chamado “Desvio da Veracel”, que inclui trechos de várias rodovias estaduais, passou a concentrar o tráfego pesado desde maio do ano passado. O problema? Grande parte do percurso não é pavimentada. Bastou a chuva cair para o cenário virar um colapso anunciado.
Carretas atoladas, filas quilométricas e motoristas sem conseguir avançar ou retornar passaram a ser rotina. Ainda assim, nenhuma solução efetiva foi implementada.
PROTESTO EXPÕE FALTA DE PLANEJAMENTO
O bloqueio desta segunda-feira é mais do que um protesto: é um grito de socorro de quem depende da estrada para trabalhar. Os caminhoneiros cobram manutenção urgente do desvio, que hoje não oferece condições mínimas de trafegabilidade.
A pergunta que fica é inevitável: como um desvio estratégico, utilizado há mais de um ano, segue sem pavimentação adequada, drenagem eficiente ou suporte básico?
Enquanto isso, o prejuízo se acumula. Empresas de logística enfrentam atrasos, mercadorias deixam de chegar ao destino e o custo do transporte dispara — impacto que, no fim das contas, recai diretamente sobre a população.
ABANDONO NA ROTA ALTERNATIVA
Além da lama e dos atoleiros, outro ponto crítico é a completa ausência de estrutura. Não há pontos de apoio, assistência mecânica adequada, sinalização eficiente ou presença constante de equipes para garantir a fluidez do tráfego.
Motoristas ficam à própria sorte, enfrentando horas — ou até dias — de espera, sem segurança e sem qualquer previsão de normalização.
E A SOLUÇÃO?
A construção da nova ponte sobre o Rio Jequitinhonha segue em andamento, com previsão de entrega para dezembro de 2026. Até lá, caminhões e carretas continuam proibidos de utilizar a estrutura atual.
Na prática, isso significa que o gargalo logístico continuará existindo — e, se nada for feito, novos episódios como o desta segunda-feira devem se repetir.
CONTA QUE CHEGA PARA TODOS
O que acontece hoje em Santa Maria Eterna não é apenas um problema de caminhoneiros. É um problema de toda a região. O atraso no escoamento de cargas impacta preços, abastecimento e a economia local.
O cenário escancara a falta de planejamento e de ação rápida diante de uma crise previsível. Enquanto obras demoram e soluções paliativas falham, quem paga a conta é quem está na estrada — e também quem depende dela.
A reportagem segue acompanhando o caso. O espaço permanece aberto para manifestações dos órgãos responsáveis.
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